quinta-feira, 1 de abril de 2010

AI!

Doem-me a cabeça e o universo. As dores físicas, mais nitidamente dores que as morais, desenvolvem, por um reflexo no espírito, tragédias incontidas nelas. Trazem uma impaciência de tudo que, como é de tudo, não exclui nenhuma das estrelas.
Bernardo Soares, Livro do Desassossego



s/título, ABrito @www.olhares.com

Midlife Crisis, Faith No More, Angel Dust, 1992


Não é fácil a tomada de consciência das limitações do nosso corpo. Não é fácil percebê-lo falível e vulnerável , barreira entre o querer e o fazer, reality call orgânico e doloroso que nos recorda que, afinal, o tempo também nos atinge com as suas marcas. A dor transforma o corpo visível em corpo risível, desgraçadamente patético, sombra do que já foi. Natureza madrasta, que acelera o relógio do corpo, ou atrasa o da mente, desfasando vontades e movimento. Do cyber-corpo ao corpo real vai a distância entre o possível e o limitado, entre o invencível e o vencido, entre um grito de vitória e um gemido de dor. Entre o corpo que sou e o corpo que sinto. Ai.


[O nosso corpo é]
um ser de duas folhas, de um lado coisa entre as coisas e, por outro lado, aquele que as vê e toca

Merleau-Ponty, 1997, Le visible et l’invisible suivi de notes de travail, Paris, Gallimard, 180:181

6 comentários:

lysa disse...

Não é fácil,não.E como tu o descreveste tão bem.Tão à tua maneira.

Escreve mais,amiga.Gostamos tanto de te ler.

Blood Tears disse...

A sintonia entre mente e corpo é efémera..... São como as linhas do bioritmo, que por vezes se cruzam....


Blood Kisses

Klatuu o embuçado disse...

Feliz Natal e Boas Festas!
Beijinho.

Jo disse...

Boas Festas, Klatuu, obrigada!
Beijinhos

Blood Tears disse...

Votos de um excelente ano!

Blood Kisses

Jo disse...

Bom Ano!
:)
Beijo*