
Talvez amanhã surja um meteoro ardente,
um pássaro de fogo ou um renque de estrelas.
Talvez no mar em ondas altas se levante
um cavalo de espuma sobre todas elas.
Talvez por dentro do silêncio, na sombria
noite, rebente como um grito a luz do dia.
Talvez, nos olhos de quem chora, a claridade
provoque uma explosão de beijos e de risos
e até na mais obscura rua da cidade
os lamentos e ais deixem de ser precisos.
Talvez na ilusão que nos permite a esperança
possamos ir em frente e prosseguir a dança.
Talvez amanhã, Torquato da Luz
Amanhã. Um ano novinho em folha. 365 dias em branco para escrevermos a nossa história. Sem rascunhos. Incandescentes dentro dos abismos que habitamos.
Hoje à meia noite brindaremos. Convenientemente.
Foto: Midnight Snack, Mehmet Turgut
Som: New Year's Day, U2, War, 1983


